terça-feira, 25 de outubro de 2011

Pedro Malasartes- Contos de artimanha


Pedro Malasartes

Quando chegou à cidade de Batequeixo, que tinha a fama de ser o lugar mais frio do país, a geada havia espalhado pelo chão um tapete evíssimo. O frio era muito forte e um vento cortante atirava cristaizinos de gelo contra as paredes eo rosto do viajante.Pedro caminhava em atanção, procurando chegar à praça principal onde, certamente, encontraria quem lhe indicasse lugar onde dormir, depois de tomar uma sopa bem quente. Em certo momento, pareceu-lhe ouvir através do vento, um gemido fraco, de criança. Parou, apurou os ouvidos, mas por fim continuou a andar, pensando:
-         Bobagem! Deve ter sido uma janela rangendo!
-         Mal havia dado alguns passos, ouviu de nvo o gemido, agora muito distinto.
Caminhou decididamente na direção dele e, surpreso, descobriu uma meninazinha tiritante, quase morta de frio. Com isso o que se esquentou num momento foi o coração de Pedro.
-         Que faz a estas horas e neste lugar? Por que não foi para casa? Diga-me onde mora e a levari lá!
-         Meu bom senhor, respondeu a meninazinha, bem que eu gostaria de ir para casa, mas sozinha, não posso nem quero ir.
-         Quer dizer que está acompanhada? E quem é esse companheiro?...Não vejo!
-         É piloto, o meu cão! O pobrezinho entrou neste jardim à procura de um osso e isso já faz muito tempo – e não pôde mais sair porque fecharam o portão. Está presso, com as patinhas debaiso da grade. Por ele é que soluçava, e não por mim! Faz tanto frio e cai tanta neve que, se o abandonasse, morreria por certo. Sentei-me e com o avental e as mãos, procuro aquecere o nariz do coitadinho. Pobre Piloto! Seu focinho está como sorvete!... procuramos nos aquecer os dois até que termine a noite e o jardineiro venha abrir o portão.
-         Mas você não bateu chamando alguém?
-         Ah! Bem eu chamei e bati várias vezes” Mas ainda que alguém ouvisse, quem é que vai saltar da cama com um tempo assim, para salvar o cão de uma  menininha pobre?! Teremos que esperar pelo amanhecer, se até então não estivermos mortos, Piloto e eu.
-         Isso é que não! gritou resoluto o nosso herói. Não é à toa que sou Pedro Masalartes. Pois desta vez quem está aqui é Pedro Belasartes. Eles não querem levantar-se para atender a uma pobre meninazinha e salvar um cão, não é assim?! Pois vocÊ vai ver amiguinha, como sem mover os pés deste lugar porei todo o quarteirão nas janelas. Você vai ver! A quem não se move com bondade, toca-se com o interesse.
Desabotoou o casaco. Levou as mãos à boca e começou a gritar qual um desesperado:
-         Socorro! Incêndio! Socorro! Incêncio! INCÊNDIO!
Esperou um segundo, Parecia até que o vento deixara de soprar ao ouvir o terrível aiso.
-         INCÊNDIO! SOCORRO! – griou novamente. Não foi preciso mais: num munito, duas, cinco, dez, vinte hanelas se iluminaram, se abriram e deram passagem a rostos envolvidos em grossos cobertores, alarmados, perguntando:
-         Onde é o fogo? Que é que está queimando?
Pedro pulava e gritava:
-Aqui! Ali! Para lá! Acolá! Desçam, está tudo queimando!

A gente das janelas, despertada no melhor do sono, não pensava em outra coisa que não fosse combater o fogo, pois bem que poderia ser que as chamas estivessem no porão da casa de cada um. Os homens corriam de um para outro lado, abrindo portas e portões.
Quando se abriu o portão junto ao qual estava a meninazinha e seu cão, Pedro agarrou-a pela mão; ela agarrou a coleira do cachorro e, no meio da confusão, saíram os três a correr.
Enquanto isso, os homens parguntavam em altas vozes:
-         Mas, afinal, onde é esse fogo? Quem deu o alarma?
Voltando o rosto na direção deles e ajudado pelo vento que soprava contra os dorminhocos logrados, o que lhe auentava a voz enormemente, Pedro gritou:
-         O incêndio é no inferno e está à espera de todos os egoístas que não se comovem com o sofrimento alheio!


Donato, Hernâni. Novas aventuras de Pedro malasartes. 10 ed. São Paulo: Edições Melhoramentos. P; 23-7.

Vocabulário

01.  Procure no dicionário o sinônimo da palavra geada e escreva abaixo:

Transcreva do texto a expressão usada pelo autor que representa a conseqüência da palavra acima.
           
02.  Releia o 2º e o 4º parágrafos do texto. Explique o que você entendeu das expressões abaixo retiradas destes parágrafos.

A)   “apurou os ouvidos”

B)    “muito distinto”

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

01.  Qual a característica da cidade, que justifica o seu nome?

02.  Retire do texto a palavra que o autor usou para explicar que a personagem estava tremendo de frio.

03.  Leia o fato abaixo:

O coração de Pedro esquentou-se por um momento.

Qual a causa desse fato?
           
04.
A)   Qual o problema enfrentado pela menina da história?

B)   Na Opinião da menina, por que ela não conseguia resolver o seu problema?

05. Qual a intenção de Pedro malasartes ao mudar seu noe para Pedro Belasartes?

06. Transcreva do texto a frase dita por pedrom que indica que as pessoas estão mais preocupadas com bens materiais do que com a caridade.

07. Você acha que foi justa a atitude de Pedro para salvar o cachorro? Justifique sua resposta.

08. Transcreva do texto as palavras corespondentes aos significados grifados em cada frase:

A)   Aquele assoalho está sempre produzindo ruído ao andarmos sobre ele.

B)   Decidido, o garoto apresentou o trabalho.

C)   A ameaça de invasão deixou os habitantes  assustados.
D)   No texto Dr. Saracura, os pacientes do hospital foram enganados por Pedro Malasartes.
09. Leia a frase abaixo:

“- O incêndio é no inferno e está à espera de todos os egoístas que não se ocmovem com o sofrimento alheio!”

Assinale com um x o melhor significado para a palavra grifada acima:

(   ) alienado, louco, doido
(   )que não é nosso, que pertence a outro.
(   ) distraído, desatento
(   ) desinformado

10- Crie uma frase usando a palavra alheio, de acordo com o significado marcado acima:

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